quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Medo ou falta de oxigénio?

Acordei em sobressalto, o coração a mil parece querer cavalgar sem arreios pelo peito, descontrolado, ainda sinto as mãos dele em volta do meu pescoço, tão real como se tivesse mesmo acontecido, a pressão na cartilagem da traqueia, mãos firmes, e no meu agitar vertia as forças que se perdiam, braços pesados como chumbo, pernas congeladas, amarradas sem acção… queria gritar, atingir com dureza aquele rosto ausente de gente, de voz, de cheiro… uma cara vazia, mas era ele sem dúvida, aquele que por vezes me atormenta, em silêncio me habita o sonho, infiltrando-se sorrateiramente pela madrugada nos meus pesadelos. Um arrepio percorre-me, mas estou a salvo.

Voltei-me depois de confirmar com um sorriso que ainda tinha três horas para dormir, dá-me sempre alguma tranquilidade saber que ainda me resta tempo, e três horas parecem uma eternidade. Raramente retorno ao pesadelo, mesmo que me sinta com forças e no intimo o queira confrontar, armada até aos dentes… prefiro não o fazer, fecho os olhos e espero o aconchego de um sonho… um sonho especial… daqueles como o outro chamou de Puff... Mesmo que no fim desapareça numa nuvem!

Encolho-me, está mais frio, sei que de lado ele não volta para me importunar. Porque será que isto acontece? Sempre que acordo de um pesadelo encontro-me em posição de decúbito dorsal. Será maior o esforço para respirar, e o cérebro fica privado de algum oxigénio, ou será que não passa de um medo ancestral, expor o abdómen relaxadamente… algo digno de um animal dominante, já vi alguns felinos dormirem assim, mas o instinto diz-nos que devemos assumir uma posição mais defensiva, e até porque sinto frio, encolho-me. E enquanto penso nisto, desligo lentamente o meu consciente… Uma libelinha desenha um voo à minha frente, pousando num bule de chá...

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