sexta-feira, 30 de setembro de 2011

não semeio ventos

Passei o portão antigo descascado de verde e fiquei a olhar para a pequena parcela de terra que espera o meu tempo. As relações pessoais podem ser comparadas àquele terreno lavrado protegido pelo muro antigo de pedra. Por sua vez a terra escura remexida pronta a receber as sementes, são as pessoas com quem convivemos, sejam elas amigos, amantes, familiares ou simplesmente pessoas com quem nos cruzamos no dia-a-dia. O modo como nos relacionamos, como agimos perante essas pessoas, define aquilo que somos aos olhos dos outros, mas ainda mais importante define o que queremos ser.

Assim que começo a remover da terra as ervas daninhas, não penso no que vou colher. Se o que lanço à terra vai brotar ou não depende de muitos factores, não controlo a chuva, o calor ou o frio. Posso regar, transplantar se for necessário, proteger dos pássaros e dos insectos, mas no fim depende da vontade da terra que recebe a semente. Do mesmo modo vejo as pessoas que me rodeiam, o que lhes posso dar estará sempre dependente daquilo que estão dispostas a receber, não espero nada em troca, mas sei que no fim colhemos sempre aquilo que semeamos, seja frutos ou tempestades.
http://www.123rf.com/photo_6445280_lock-on-iron-door-grunge-background.html

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